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Paraíba Poética

Maria do Socorro Ribeiro

MARIA DO SOCORRO RIBEIRO é autora do livro A ÁRVORE DO AMOR.

"Não é tão fácil descrever o amor. Sentimento puro e divino, que nem todo ser humano pode senti-lo. Do amor vem a afeição, a inclinação, a simpatia e, com o decorrer do tempo, a amizade, elo sublime que une duas almas. E porque não dizer dois corações. Li versos simples, amorosos, sinceros, ternos e maravilhosos. Frutos colhidos da árvore frondosa de sua imaginação. Nele vemos o vibrar de sua alma apaixonada e sonhadora".

HELENA RAPOSO CARNEIRO DA CUNHA, Presidente da Academia Paraibana de Poesia.



A FORÇA DE UM BEIJO

Ah, se o último beijo não morresse !
Se fosse eterno como um sol...
Beijo ! Timbre de uma promessa
de amor...selo de uma jura
cristã...de uma comunhão...

Os beijos, porém, se vulgarizam
quase sempre, nos lábios falsários,
lábios que professam mentiras
de amor...Românticos ladrões...

Beijos se multiplicam e se perdem
nos lábios das virgens
como na boca de Messalinas...
Beijos de baco às suas noturnas
Horizontais...Beijos, simples beijos...

Beijos inocentes, puros como a neve,
Sobram nos beija-flores; eles vão
e voltam para beijar, sempre beijam...
Assim, mais felizes as flores
Que todas as Dulcinéias do mundo...

Mas, um dia...ó santo dia !
Um estranho alado
beijou-me a flor doa lábios...
E como a dália rubra
abrindo o seio virgem
às carícias do luz,
eu fui o lírio sensual...

Um dia, porém, numa última aventura,
Eu quis matar...matar saguineamente
Sadicamente, com impetos de paixão.
Quis matar e matei...
Matei o desejo de beijar.



AMOR PERFEIÇÃO

Silêncio...estou só no apartamento.
É mansa a calmaria do entardecer...
Nem um pipilo longíquo se escuta,
O relógio anuncia a fuga da luz...

Esmaece o colorido da vida...
Onde o amor para o amor ?
Onde a criatura amada ?
Pulsa-me forte o coração...

Sonho com o objeto perfeito,
Com o amor revestido de afetos,
Que deleite o corpo e a alma da gente.
Amor, fraternidade e consistência...

Quero o sensível como as rosas,
Como os olhos de uma criança,
Imenso como um oceano,
Consistente como a Criação...



QUANDO EU TINHA VOCÊ

Quando a vida era nós dois,
O nosso mundo era festa...
Cantavam as coisas naturais,
Nossos canteiros eram floridos,
Nossa mansão - um gorgeio,
Tínhamos o nosso Irapuru...

Quando a vida era nós dois,
Multiplicavam-se os afetos,
Cresciam as afeições...
O nosso endereço era convite,
Chama de cartões dourados...

Quando a vida era nós dois,
As manifestações sociais
Enchiam nossa sombra
e cantavam "parabéns prá você"..
O nosso balão subia
Como uma afirmação de fé
Para as bençãos de Deus.
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