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Paraíba Poética
Magna Celli
"A poesia de Magna Celi é recortada,
a partir de figurinos criados pela Natureza em sua expansão mais pura. Valendo-se
da exorbitância e infinitude da mensagem contida na integração entre fontes
naturais e gestos humanos, a poetisa talha os seus modelos, fá-los desfilar
diante de nossas sensibilidades, deixando sempre uma permanência produzida
desde a original imanência que personaliza cada ser criado, em seu
estágio, em sua configuração própria, insubstituível."
JOSÉ LEITE GUERRA
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Espreita
de leve a brisa e pressente seu instante imprevisível. O tufão como a pancada súbita arrebenta vidas ou as joga aos ares. É o desencadear anímico, é o desapontamento. |
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Desce
de teu trono de marfim, ó homem ignóbil, e contempla os cemitérios e os holocaustos, e descobre que a tua nudez é mais nua que as árvores descopadas do sertão, e o teu espírito está triste, e a tua alma vazia, tão vazia e oca como o vácuo das ionosferas. |
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Era
um domingo tão lindo tão sol, tão sal, tão areia. E os dois garotos do morro contentes, viventes, conduziam na mão, um deles, um cordão; o outro, uma tábua; e por cima da água ondeando, improvisaram uma prancha, e, feliz, um deslizava, enquanto o outro puxava, e sorriam, e corriam, e o sol testemunhou sua felicidade, o sol tão nobre, (felicidade de menino pobre) o riso, a volta, o corpo molhado brilhandode sol- a corrida, a sensação na improvisação. |
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Colhi
uma pétala de rosa, um sorriso de criança, um bom-dia, um ar crepuscular, uma gota de orvalho, e fiz meu poema. |
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Meu
sonho é ser jardim brotando cravos e rosas, gerando folhas airosas numa evolução sem fim. Comungando a terra pura, banhando-me de orvalho, tateando todo galho, sentir do verde a fofura. No branco das margaridas, sarar as minhas feridas, vestir-me de girassol. Transformar-me em sempre-viva viver uma dália ativa aromando sob o sol. |
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