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Paraíba Poética

Luiz Fernandes da Silva

LUIZ FERNANDES DA SILVA é autor de Momentos, consagrada obra poética que mereceu de Walmir Ayala o seguinte comentário: "A coletânea de poesias do premiado poeta Paraibano Luiz Fernandes da Silva realmente revela um grande talento. O moço demonstra ser conhecedor dos requisitos necessários para ter seu nome incluido entre os bons poetas Brasileiros. O autor do premiado POEMÁTICA e tantos outros, merece receber mais aplausos pela riqueza ímpar de sua poética. Você Luiz Fernandes tem a estrutura e sensibilidade. Parabéns jovem poeta Paraibano, continua escrevendo." Walmir Ayala. Rio de Janeiro, 10 de maio de 1989.



CICATRIZES DO TEMPO

Trago dentro de mim
o eco de todas as tuas palavras
e as cicatrizes de tuas
lembranças.
Trago dentro de mim
os teus olhos cansados
e um vazio impalpável
da distância.
Trago dentro de mim
o teu rosto de infância
germinando na moldura do tempo.
Trago dentro de mim
o teu retrato amarelado
dentro do álbum
onde estão presos
os nossos remorsos e
a esperança de um dia
ficar agasalhado no teu seio
como láctea argila.


CONFISSÃO NOTURNA LUIZ FERNANDES DA SILVA

Quando o teu rosto
estiver ainda vivo de surpresa
na cadência fúnebre
sobre todos os horizontes.
Quando a terra
estiver em dimensões abstratas,
eu saberei que cada homem
é mais forte do que
o outro.
Então, irei buscar
nas relíquias do tempo
todos os mitos, todos
as metamorfoses,
verei a noite se despedir
na terra, revelarei
a tua solidão e deixarei
petrificada as minhas lágrimas
nos tecidos do teu corpo.


DECLARAÇÃO LUIZ FERNANDES DA SILVA

Em mim há a paisagem
escura e o sonho vago.
Um lamento nascendo
na noite.
E as gotas do silêncio
caindo.
A fé moendo a alma
diária de esperança.
Os caminhos de mágoas e pesadelos
indo em busca de mim próprio,
em seus desvelos,
Existe um pântano de dores,
mas outros dias virão trazer novas cores.


O PRESENTE MOMENTO LUIZ FERNANDES DA SILVA


um mistério adormecendo
nas gerações;
memórias submersas em prantos,
fantasias aflorando as minhas
recônditas lembranças;
os olhos mastigando
as páginas dos jornais nos
crimes misteriosos, e
uma emoção transfigurada
oculta na sua pele.


um grito do silêncio
esmagado, fermentado
nos porões obscuros
do meu Uni (verso).


SÍNTESE LUIZ FERNANDES DA SILVA

da
mesma semente
renasci e
te vi na
infância.
Os mortos
no túmulo
obscuro trazendo
as rosas de esperança.
Borboletas mecânicas
riscaram com suas
asas no
horizonte e sumiram.

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