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Paraíba Poética
Francisco Fernandes
Francisco Fernandes é professor. Licenciado em Biologia, é Presidente da Associação dos Professores de Licenciatura Plena do Estado da Paraíba-APLP. Nascido no bairro de Cruz das Armas, na cidade de João Pessoa, tem 49 anos, é casado e pai de duas filhas. Possui, segundo ele, "dois pequenos livros amarelando nos fundos das gavetas, aguardando oportunidade de publicação: Imagens retidas e Poemas desfiados".
CONTATOS COM O POETA: tati001@zaz.com.br
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ANTIPOEMA
Sorvo o abstrato léxico vocabular: dicionarizo-me.
Torno-me lexicógrafo macambúzio versista prisioneiro perpétuo dos padrões rigoristas da crítica
abdico a concreta poética afetiva: intelectualizo-me.
torno-me hermético complexo verbalista dependente inócuo das análises cíclicas dos teoristas |
POR
QUÊ ?
por que expor as palavras ao desgaste corrosivo do tempo ?
porquê cortar as unhas e não deixa-las crescer além dos dedos ?
porquê esse conjunto de medos arremedos, sufocando os desejos ?
porquê não colher ilusões pesadelos garimpando vontades ?
porquê não unir o por ao quê porquê perguntar: por quê ? porquê responder ? |
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EROSÃO
O cabo branco é o ponto mais oriental das américas ensinaram-nos no tempo mas o mar buscando espaço avançou o cabo branco é o ponto mais oriental ouvíamos repetir-se e o mar ensaciado retornou o cabo branco é o ponto ninguém tomou decisão nenhuma proteção o mar continuou o
cabo branco erosão
o
cabo bran- |
POEMA
vomito o que leio numa indigestão literária faço desse vômito meu exercício criativo vivo assim nauseando
a leitura diária é um ato reflexo não mastigo as palavras bebo-as
são esponjas as paredes dos meus pensamentos
vomito o que leio e esse vômito me anima ainda quente chamo-o de poema |
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