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Paraíba Poética

Carlos Dias Fernandes

(*1874 +1942)

CARLOS DIAS FERNANDES nasceu em Mamanguape em 1874.Jornalista, sua produção literária foi das mais variadas, tecendo-a em cima da poesia, crítica. romance e crônica. Entretanto a poesia foi sua arte mais completa. Nesse campo, publicou Palma de Acanthos (1901), Solaus (1902), Vanitas Vanitatum (1906), Canção de Vesta (1908), A Walfredeida (1915), Miriam (1920), O livro das Parcas (1921), Sansão e Dalila (1921), Terra da Promissão (1923), Rezas Cristãs (1937), Sesta Brasílica (1938) e Sesta Nostra (1948).

 

Carlos Dias Fernandes

BRIÁRIO E CENTÍMANO

Solitário coqueiro miserando,
Que as tormentas não deixam sossegar!
E, de contínuo, as palmas agitando
Pareces um vesânico a imprecar.

Desgraçada palmeira, como e quando
Irão teus pobres dias acabar;
E com eles ou teu destino infando
De cativo da Terra ao pé do Mar ?

Hemos conformes nossos tristes fados.
Tu, germente Briaréu dos vendavais
Eu, Centímano de cem mil cuidados.

Um retorcido aos ventos outonais
Outro com os seus anelos sossobrados...
Nem sei qual de nós dois braceja mais !

( ANTOLOGIA LITERÁRIA DA PARAÍBA /
IDELETTE FONSECA DOS SANTOS, Grafset,
João Pessoa, 1993. P.37)


A CRUZ E SOUZA
Carlos Dias Fernandes

Ah! Que eterno poder maravilhoso
Era esse que o corpo re animava,
E que a tu'alma límpida vibrava
Com um plangente carrilhão mavioso ?

Que sol ardente, que fecunda lava,
Que secreto clarão mago e radioso
Dentro em teu ser. Como um vulcão raivoso,
Eternamente em convulsões estuava ?...

Que anjos alertas, cândidos e graves,
Faziam de teu ser floridas naves,
Cheias de augustos cânticos eternos?...

Que mão foi essa, lívida e gelada,
Que sufocou tu'alma, acrisolada
Na tortura de todos os infernos?...

 

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