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Paraíba Poética

Antônio de Figueiredo Agra

(1936-1982)

Antonio de Figueiredo Agra, filho de Agripino da Costa Agra e Maria Figueiredo Agra, cursou as primeiras letras em Campina Grande, cidade onde ocupou diversos cargos administrativos e deixou sua marca peculiar: a altivez no estilo de administrar.

Como poeta, investigou em profundidade o sofrimento humano, enfatizando o fato de que, quanto mais o homem se conhece e é "dono" do seu destino, mais se torna infeliz.

Algumas de suas obras são: Guarda Esses Poemas, Luciene (1965); Os Hemisférios Loucos (1973); Concerto de Espaços (1973); Vida Flauta (1974); Tempos da Noite (1975); Café das Manhãs Amargas (1976).

Fonte: Coletânea de Autores Paraibanos, Gráfica Santa Marta, pág.88).

 

 

UM FESTIM PARA HERODES

Trinta e cinco círios

acendem hoje

este meu aniversário

e nem Salomé

nem Herodíades

estão comigo.

 

A sua dança

traçou no ar

a estranha coreografia

que foi sugerida

na cabeça de João Batista

 

Chegam as bandejas

vazias,

menos mesa que música

e dançam o meu pandemônio.

 

Eu os sei aqui,

convivas redivivos,

e nenhuma idéia por cabeça

me trarão.

As bandejas me chegam

por certo,

sem o pedaço de João Batista,

o que já foi doado.

 

As bandejas estão aqui,

vazias,

e querem que elas voltem

com a minha cabeça...

(Os Hemisférios Loucos, Gráfica Igramol, João Pessoa, 1.972)

 

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